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Perfeito é ser imperfeito!

08/02/2012

A ciência e a medicina chegam cada vez mais perto de marcar o gol, e avançam com mil e uma possibilidades de mudanças e aperfeiçoamentos. O mundo moderno, além das demais cobranças, também nos exige algo que NUNCA seremos, mas insistimos em querer ser: PERFEITOS!

Já parou para perceber o quanto esperam de nós e o quanto esperamos dos outros? Esquecemos, na maioria das vezes, que a beleza de ser HUMANO está na capacidade da evolução, da emoção, do crescimento e do aprendizado. Tudo isso não existiria se fôssemos perfeitinhos. Gente perfeita nunca existiu e, espero eu, que nunca exista. Precisamos errar, quebrar a cara, sofrer e voltar atrás, pois só assim vamos nos lapidando.

O que eu quero dizer pode ser  muito bem compreendido pelo poema  ‘O Novo Homem’ do Carlos Drummond de Andrade:

O Novo Homem

O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objecto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
«Nove meses, eu?
Nem nove minutos.»
Quem já concebeu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exacto,
medido, bem posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afecto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio,
e, per omnia secula,
livre, papagaio, sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.

Por mais que a ciência queira e até consiga nos proporcionar possibilidades de maquiarmos nosso exterior, o que temos por dentro ela nunca consiguirá modificar. Você não é apenas o corpo que carrega. Você é a lágrima que chorou, o sorriso que deu, as conquistas que venceu, os tombos que levou, os beijos que roubou e as memórias que compõem a sua história. Esses fragmentos repletos de sensibilidade e emoção são peças de VOCÊ.

Um comercial que passa essa mensagem é o do Johnnie Walker. É emocionante e genial.

 

Pois bem, eu acho que a perfeição está na imperfeição. Concorda?

2 comentários leave one →
  1. 08/02/2012 01:07

    Há imperfeições? Possivelmente. Mesmo assim fiquei com a sensação de que ficou perfeito…

  2. 19/02/2012 17:49

    Obrigada, Antena🙂

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