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Metamorfose ambulante

12/03/2012

‘Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo’ foi o que disse Raul Seixas, e vamos combinar, o maluco beleza tinha total razão.
Mudança, transformação e evolução faz parte do crescimento de qualquer pessoa. Eu mesma comparo, com certa frequência, a Aline de ontem com a de hoje. É incrível como mudei e como mudo constantemente.
O tempo não modifica apenas nossa aparência, como também é peça responsável nas mudanças de pensamentos, pontos de vistas, ideologias, sonhos, objetivos, desejos, humor, enfim, nas coisas ditas subjetivas e que pairam nas nossas cabeças.
Pessoalmente vejo o quanto modifiquei, levando-se em conta como eu era e como pensava uns quatro anos atrás. Nem vou entrar no quesito aparência, apesar de achar que não mudei muito fisicamente, a não ser o rosto que hoje é de mais mulher e que, implicitamente, mudou devido aos quesitos subjetivos e interiores.
Quando digo o interior, refiro-me àquela Aline além da ‘casca’ e rostinho sério que ninguém ou quase ninguém conhece. Reconheço e confesso, sem exageros, o quanto mudei desse tempo pra cá. O que antes, pra mim, era inadmissível, hoje é questionável, o inexplicável tornou-se compreensível, o tolerável virou-se contra si mesmo, e o impossível me desafia para que eu corra ainda mais na conquista da transfiguração para o possível.
Lembro-me de como pensava, do modo que agia e das coisas que sonhava. Dou risada de tudo que me tirava o sono e hoje é tão insignificante. Às vezes, imagino como estão algumas pessoas que faziam parte da minha vida e agora não são peças principais, sejam porque foram embora, porque se afastaram ou porque eu as afastei. Recorro às listas antigas de objetivos que ainda não conquistei; muitos deles eu apago, pois já não são mais desejos da pessoa que me tornei e, no lugar, insiro outros que anteriormente nunca imaginaria que um dia correria atrás.
Ouço músicas que me emocionavam ou me alegravam outrora, mas agora não me atraem nem nos primeiros segundos. Assisto filmes que figuravam entre outros tantos na minha lista de preferidos, mas, hoje, pra mim, não deixam de serem filminhos ‘bobinhos’.
Os gostos também mudam e como mudaram. Rosa, amarelo, preto ou branco? Depende da ocasião e do estado de espírito. Antes só loiros? Hoje babo pelos morenos. Antes os bonitinhos? Priorizo a beleza anterior. Refrigerante? Hoje só suco natural e muita água. Pois é… por aí vai.
E quanto ao amadurecimento? Acho que esse ponto é o mais importante e explico o motivo. Se antes era a mais tímida entre as tímidas, hoje dou mais a cara a bater (apesar da minha timidez ainda me trair diversas vezes). A sensibilidade ao extremo e os choros por qualquer coisinha aprenderam a brincar de esconde-esconde (que bom, né?). E o defeito que tinha de guardar coisas que me machucavam me mostrou como o rancor magoa e atrapalha.
Por fim, enquanto os ponteiros dos relógios avançam sem dó e os calendários, num ritmo frenético, brincam de início e fim, todos nós também renascemos diferentes a cada dia, mês e ano. E assim vamos seguindo em frente, no clico da evolução e da delícia de ser essa metamorfose ambulante, sempre com sorrisos, choros, mudanças, retrocessos, saltos, conquistas, perdas e objetivos que mudam, ficando pra trás quando trocamos de pele, mas que contribuem para o nosso renascimento.

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