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Nós: eu, você e ele (a)

14/08/2012

Seria uma cena comum, se não fosse apenas um detalhe. Após um dia corrido de labuta, estava eu no metrô, voltando para casa, quando um casal me chamou a atenção. Dois jovens, beirando os 30 anos, bonitos, corpos em forma, bem vestidos e influentes trocavam palavras, olhares e beijinhos durante a viagem nada íntima, com dezenas de pessoas ocupando praticamente o mesmo lugar no vagão. Até aí tudo lindo, tudo comum e tudo bem.

Porém, antes de desembarcar em uma das estações, a mulher se despediu do rapaz com um beijo apaixonado, e este retribuiu, retirando uma aliança de ouro do terno de marca, com uma frase com certa malícia: “-Deixa eu colocar a aliança no dedo, senão já sabe, né?” E ela, rindo também com certo deboche, respondeu: “-É, verdade. Beijos e até amanhã.”

Não satisfeito, o moço fortão, loiro e bonitão retirou o celular que estava no outro bolso do seu paletó e atendeu uma ligação, iniciando uma conversa que só presenciei a fala de um dos envolvidos, e que reproduzo a seguir:

 “-Oi, amor.”

Silêncio e uma cara de paisagem no rosto do rapaz.

“-Não atendi porque só agora vi sua ligação. Você sabe que estou saindo mais tarde do trabalho estes dias. Pode me esperar para jantar, já estou chegando. Beijos”.

Silêncio, telefone desligado e colocado de volta no paletó, e cara de satisfação após perceber que a mulher acreditou em tudo.

Pois bem, após uns 5 minutos do diálogo entre marido fiel e mulher enganada, desci boquiaberta na estação que sempre desço para chegar em casa e ter uma noite de descanso após um dia de trabalho.

Antes que me julguem como inocente, conservadora, antiquada e moralista, eu sei que isso acontece muito antes do Graham Bell ter inventado o telefone. Sei também que sempre vai acontecer, nas piores e melhores famílias. Complementando, também tenho plena consciência que a pessoa traída cada vez mais é do sexo masculino, colocando em xeque as pesquisas que indicam que o homem é quem trai mais.

Contudo, o X da questão e que me fez refletir e escrever este post é o meu não entendimento e aceitação às atitudes como a que presenciei. Apesar de ser considerada cada vez mais “normal”, traição para mim sempre foi, é e sempre será repugnante.

Não tenho nada a ver com o casal que vi, nem com ninguém que se enquadre ao que foi exposto. Cada um sabe de si e escolhe o que acha melhor para ser feliz, não é mesmo? Mas, independente de relações, sejam elas entre amigos, familiares, colegas de profissão e, claro, entre dois apaixonados, trair, enganar e brincar com os sentimentos e comprometimento da outra pessoa que espera de você, no mínimo, respeito e sinceridade, é incabível para mim.

Nunca achei uma atitude “normal” e sempre tento me colocar no lugar da terceira pessoa deste triângulo. Aquela que segue sua vida, com a falsa ilusão de que, na prática, o “prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida” funciona.

One Comment leave one →
  1. 14/08/2012 23:58

    O terceiro lugar não é nada confortável. Não queira se por nele. Nem em hipótese.

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