Skip to content

Sobre Alice, sobre Clementine e sobre memórias…

23/03/2015

Hoje assisti ao filme Para Sempre Alice, que deu o Oscar de melhor atriz à Julianne Moore e que indico a qualquer pessoa, não apenas para conhecer um pouco mais sobre a Doença de Alzheimer, mas sim para se sensibilizar e se conscientizar do quão importante são nossas memórias, sejam elas para a realização de atividades banais ou aquelas recordações sentimentais.

maxresdefaultNo filme, Moore protagoniza a Dra. Alice Howland, uma renomada linguista, mulher bem sucedida, bem casada e mãe de três filhos. Alice levava uma vida normal até que descobre, aos 50 anos, que tem a Doença de Alzheimer precoce e tem que lidar, a partir de então, com os desafios e dramas que a doença implica ao portador e em sua vida social, familiar e profissional.

Mais do que falar do roteiro em si, refleti muito sobre a importância das lembranças e memórias em nossas vidas. O filme me fez lembrar um outro, muito bom também, mas que, apesar de bem diferente de Para Sempre Alice, também remete ao impacto do esquecimento de nossas histórias, sejam para nós mesmos ou para aqueles à nossa volta.

brilho-clementine1O outro filme em questão é o Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, em que Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formam um casal que durante anos tentam fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. No entanto, com o término, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para, literalmente, apagá-lo de sua vida, aceita se submeter a um tratamento experimental que retira de sua memória os momentos vividos com ele.

“Deixe-me ficar com esta lembrança… por favor, só essa.”
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

As duas produções, ainda que em propostas bem distintas (um retrata uma doença séria e a outra uma desilusão amorosa), demonstram a amplitude de nossas memórias. Se você pudesse apagar alguma coisa da qual vivenciou, você gostaria de esquecer de algo específico?

Eu já pensei muito sobre isso e respondo com toda a certeza: NÃO! O caminho que trilhei até aqui, as risadas que dei, as lágrimas que já derrubei, as pessoas que conheci, as histórias que vivi e tudo que aprendi e errei foram essenciais para a formação do que sou hoje.

Imagine, então, simplesmente apagar toda essa essência ou esquecê-las. Seria desesperador olhar para uma fotografia e não me lembrar do momento em que aquelas pessoas da foto se reuniram para o registro do encontro para a eternidade.

Imagine não lembrar do primeiro tombo de bicicleta, da primeira briga com a irmã, do primeiro beijo, do primeiro amor… Esquecer do primeiro dia de aula na universidade, de qual foi seu primeiro emprego ou do dia em que você conheceu aquela pessoa que fez grande diferença na sua vida. Triste, não? Mais triste ainda é não lembrar de onde você guardou o celular, do caminho de volta para casa ou o nome do seu cachorro. Pois é, essas memórias, ainda que bobas para qualquer um, são bem limitantes para o portador de Alzheimer.

“Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente. Num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui diante de vocês e que fiz este discurso. Mas o simples fato de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância.”

Para Sempe Alice

A memória é uma maneira de retermos tudo aquilo que amamos, sendo nosso bem mais precioso, e perdê-la progressivamente deve ser bem doloroso. Eu espero que, mesmo daqui a 70 ou 80 anos, eu consiga me lembrar das pessoas que passaram pela minha vida, dos amores, das caídas, das vitórias, das derrotas, do dia tedioso ao lado de alguém especial, das viagens de carro com meus pais ao som de Dire Straits, dos amigos de infância, do gosto da água salgada, das tardes assistindo Sessão da Tarde com a minha irmã, das loucuras, dos dissabores, dos sabores, das experiências boas e ruins, do frio na barriga, das cartas que recebi, das paisagens que meus olhos viram, do som que ecoaram nos meus ouvidos.  Enfim, ao fechar os olhos, quero lembrar da minha história, de você, da Aline de antes e de tudo que vivi. E eu espero que você também se lembre.

Deixo aqui a reflexão e a indicação dos dois filmes. Abaixo, o trailer de cada um:

One Comment leave one →
  1. Davi permalink
    23/03/2015 21:48

    Sensacional!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: