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O que o seriado Mad Men pode nos ensinar sobre lembrança e esquecimento?

30/11/2015

Estou lendo o livro Mad Men e a filosofia que faz uma análise dos motivos do grande sucesso da série, adentrando, também, no cenário da publicidade da década de 60, época em que a série é baseada.

Além disso, a obra de Rod Carveth e James B. South mergulha nos perfis psicológicos dos personagens de Mad Men, analisando suas atitudes, por vezes polêmicas, a diversas situações no ambiente familiar, social e profissional. Com isso, o que o seriado Mad Men pode nos ensinar sobre lembrança e esquecimento?mad-men-wallpaper

No capítulo do livro Pete, Peggy, Don e a dialética da lembrança e do esquecimento, os autores analisam as atitudes destes três importantes personagens com o passado, presente e futuro. Quando li esta parte da obra, refleti bastante sobre o que foi analisado, o que me fez escrever este novo texto do Blog.

Na análise dos autores com os comportamentos dos personagens citados, é mostrado como cada um reage frente ao esquecimento ou não de acontecimentos passados. Pete_scold_trudy_red_in_facePete, recente funcionário da agência de publicidade Sterling Cooper, é o típico jovem ansioso e ambicioso, que não consegue esquecer o que as pessoas fizeram, seja para o seu bem ou, principalmente, para o seu mal, representando o esteriótipo daqueles que se prendem ao passado. Em diversos momentos, pelo o que foi analisado no livro, Pete acaba se prejudicando por não conseguir se desprender do que já passou e seguir em frente. Com isso, é o típico representante de uma certa angústia, mesquinheza, sempre regido pelo rancor nos seus atos.

madmen_thesuitcase-1280x960Em contrapartida, Peggy já reage com desprendimento, afastando-se totalmente do passado para conseguir seguir em frente. Nem mesmos acontecimentos marcantes e importantes em sua vida a fazem se apegar à sua história. A também funcionária da Sterling Cooper, que iniciou carreira na empresa como secretária, mas que foi crescendo até ocupar um cargo importante, fruto de seu esforço, sempre mostrou ambição para vencer, não medindo o preço a se pagar, mesmo que este preço estivesse relacionado com afeições e laços emocionais. Peggy, por não se lembrar do seu passado, vivendo apenas para conquistar seus objetivos no futuro, acaba também por não viver o presente, vivendo completamente fora de si mesma.

Por último, é feita uma análise do personagem principal Don Draper, executivo de contas da Sterling Cooper, que, por mais que queira esquecer-se, em diversos momentos, do seu passado para ter resultados favoráveis no futuro, acaba tendo sua memória ativada por fatores diretos e indiretos, sendo forçado a lembrar de diversos acontecimentos e atitudes próprias.

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Depois de todo esse contexto relatado por Mad Men e a filosofia, entro no objetivo principal do texto, que é indagar sobre o esquecimento ou apego ao passado. Afinal, é aconselhável apagarmos certos acontecimentos para seguirmos em frente? Nietzsche estaria certo quando disse “bem-aventurados são os esquecidos, pois também esquecem suas tolices”?

Você, assim como todo mundo, já passou por situações adversas e traumáticas, ou mesmo com resultados não tão agradáveis e que não obtiveram o desfecho esperado, mas que serviram, de uma maneira ou de outra, para o amadurecimento e refletem sua experiência para que, frente a uma situação semelhante, você possa ter ideia de como agir. Por mais que muitas dessas situações você queira esquecê-las, elas são parte da sua história.

Ao meu ver, não devemos ser Petes ou Peggys, lembrando demais e esquecendo de mais do passado, respectivamente. Também acho que não devemos ser Dons, querendo esquecer, mas sendo forçados a lembrar.

apega-te-aoAcho que é preciso não se apegar ao passado, mas não podemos esquecê-lo. Sem ele, não teríamos a experiência que nos ajuda a analisar atitudes anteriores para que saibamos se devemos agir igual frente a situações parecidas em uma próxima vez.

Por mais que saibamos que não deixar o passado em seu lugar, igual ao personagem Pete, não seja saudável, levando-os a sermos pessoas amargas e que ficam cegas às novas oportunidades e possibilidades, viver apenas pensando no futuro, sem memória da sua história, faz com que busquemos atingir coisas ou modelos a seguir que jamais serão atingidos, já que o objetivo, nestes casos, é chegar a um ideário que sempre será renovado e nunca realizado. Focar apenas no dia de amanhã, assim como Peggy, faz de nós pessoas vazias e descontextualizadas.frases-de-motivacion-bonitas-y-amor-14212472768n4gk

O passado também contribui para o nosso presente e o nosso futuro. É preciso deixá-lo ali, em seu lugar, sabendo que serviu para chegarmos onde estamos e que também será espelho, através de nossa capacidade analítica, ativada com nossa memória, para nossas ações futuras.

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PS: Fica aqui a dica de leitura do livro Mad Men e a filosofia. Cada capítulo faz uma análise diferente de esteriótipos dos personagens e contextos culturais da época, analisando-os com aos de hoje. Ainda não terminei, mas estou devorando.

 

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